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segunda-feira, 14 de maio de 2018

Terras sem Sombra - Estreia em Portugal de Clarines de Batalla em Elvas


Trombetas na antiga Catedral, visita ao Forte da Graça e Agricultura de conservação


O Terras sem Sombra desloca-se pela primeira vez ao Alto Alentejo para, em tom militar, abrir as trincheiras do património e biodiversidade do concelho de Elvas a 19 e 20 de Maio.


Estreia em Portugal do ensemble Clarines de Batalla

O epicentro desta viagem até à raia será a igreja de N.ª Sr.ª da Assunção, antiga Sé da cidade, onde terá lugar, às 21h30 de sábado, 19 de Maio, o concerto “Guerra e Paz: A Trombeta Histórica na Música Barroca Europeia”. Em palco, um ensemble espanhol de referência em música antiga, Clarines de Batalla, que tem vindo a triunfar em teatros e festivais do país vizinho.

Este espectáculo, em estreia em Portugal, dá a conhecer um valioso repertório de obras religiosas, mas também militares e de corte, dos sécs. XVII e XVIII, com enfâse para o Barroco, escritas por grandes músicos europeus para trombetas históricas, órgão e percussões e recém-descobertas em manuscritos da Biblioteca Nacional de Madrid. Os mentores do grupo de Clarines de Batalla, o trombetista Vicente Alcaide, o organista Abraham Martínez e o percussionista Álvaro Garrido, são figuras de referencia no panorama musical peninsular e internacional, tendo gravado recentemente um disco, dedicado à trombeta histórica, que se tornou best seller.


À descoberta dos tesouros do património de Elvas

A tarde do dia 19 vai ser consagrada pelo Terras sem Sombra à visita do Forte da Graça, “jóia das coroa” do património de Elvas, sob a orientação de especialistas, que revelarão o génio militar e a excelência artística desta magnífica fortaleza, a mais destacada do género, em Portugal, na segunda metade do século XVIII, e alvo da peregrinação de investigadores e amadores de arquitectura castrense de todo o mundo. O ponto de encontro será no próprio monumento, às 15h00.

Em parceria com a Associação Portuguesa de Mobilização de Conservação do Solo, no Domingo, dia 20, a partir das 10h00, o Festival, promove uma acção de voluntariado para a salvaguarda da natureza. O alvo será um conjunto de práticas que permitem o maneio do solo agrícola com a menor alteração possível da sua composição, estrutura e biodiversidade natural. Estas técnicas, utilizadas na agricultura de conservação, apresentam efeitos muito positivos no solo, contribuindo para o aumento do teor de matéria orgânica. A ação decorre sob a orientação de Gabriela Cruz, engenheira agrónoma.

As iniciativas do Terras sem Sombra são de acesso livre organizadas pela Associação Pedra Angular.

segunda-feira, 30 de abril de 2018

Terras sem Sombra - O Cante da Ilha da Liberdade, a rota de Soror Mariana e observação de ave


O Cante da Ilha da Liberdade, a rota de Soror Mariana e observação de aves


O Baixo Alentejo volta a ganhar protagonismo enquanto destino privilegiado de património, música e biodiversidade. Os dias 5 e 6 de Maio são dedicados pelo Terras sem Sombra a Beja, tendo como pano de fundo as Cartas Portuguesas, de Soror Alcoforado.

Segredos das vozes corsas


O etnomusicólogo Michel Giacometti, nascido na Córsega, foi quem primeiro aprofundou as ligações entre o Cante e a Polifonia das zonas rurais dessa ilha, que constitui, decerto, o “parente mais próximo” das modas do Alentejo. 

Invocando essa herança partilhada, o mais destacado ensemble corso da actualidade, Barbara Furtuna – Voix Corses apresenta, na igreja do convento de S. Francisco (Pousada), às 21h30, o concerto O Canto na Ilha da Liberdade. Jean-Philippe Guissani, Maxime Merlandi, Jean-Pierre Marchetti e André Dominici escolheram um programa, com composições religiosas e profanas, bem representativo da polifonia da Córsega, desde o século XVIII aos dias de hoje, não esquecendo as afinidades com o Cante. Trata-se de uma ocasião muito propícia para conhecer uma tradição musical de que se fala muito, mas que se escuta pouco entre nós.

O espectáculo é consagrado pelo Terras sem Sombra à memória de Giacometti, falecido em Faro, em 1990, e cujo corpo repousa em Peroguarda – aldeia alentejana que ele amou e cujas tradições musicais estudou ao longo de décadas. Esta iniciativa resulta da colaboração bilateral do festival alentejano com o Centro Superior de Investigação e Promoção da Música, da Universidade Autónoma de Madrid, iniciada em 2017. 


Na Rota de Soror Mariana Alcoforado

O nome de Soror Mariana Alcoforado, religiosa no convento da Conceição, é indissociável das cartas de amor dirigidas a Noël Bouton, conde de Saint-Léger, mais tarde marquês de Chamilly, e publicadas em França (1669) sob o título de Lettres Portugaises. A tarde de sábado é consagrada a percorrer uma “Rota de Mariana”, antecipando a celebração dos 350.º aniversário da publicação das Cartas Portuguesas, em 2019. Visitam-se, assim, monumentos e sítios que conservam a memória da célebre “Freira de Beja”: a casa onde nasceu, hoje sede do Club Bejense; a igreja de Santa Maria da Feira, onde foi baptizada; e o convento onde entrou com apenas 11 anos, passou toda a existência e está sepultada. Esta iniciativa tem o ponto de encontro no Museu Regional de Beja, às 15 horas, e é orientada pelos historiadores Florival Baioa Monteiro e José António Falcão.

Um santuário das aves na planície: a barragem dos Grous

Situada em Albernoa, a Herdade dos Grous caracteriza-se pela simbiose entre as actividades turísticas e as práticas agro-ambientais, apresentando diferentes tipos de habitats que permitem acolher uma grande variedade de espécies de aves, quer residentes, quer migratórias. A sua barragem constitui um santuário na planície para muitas dessas aves, que só podem ser observadas em biomas deste género, tipicamente mediterrânicos. 

Entre as mais de 200 espécies que se identificam no local, sobressaem o peneireiro-cinzento, a águia-pesqueira, o picanço-real-meridional, a poupa, o abelharuco, a andorinha-dáurica, o picanço-barreiteiro e o papa-figos, entre outros casos paradigmáticos. Um verdadeiro tesouro da biodiversidade alentejana, com repercussões mundiais, que atrai todos os anos muitos peritos em birdwatching.

Tirando partido deste contexto privilegiado para a conservação da natureza, o festival dedica a manhã de domingo, às 10 horas, a um passeio interactivo para a observação de aves, com uma explicação das práticas biológicas que a herdade está a desenvolver, em particular na vertente da exploração agrícola, e a realização de actividades práticas a ela associadas. 

São guias o biólogo Luís Salvador e do médico Dinis Cortes, grandes conhecedores da fauna da região. As iniciativas do Terras sem Sombra são de acesso livre e resultam da colaboração da Pedra Angular com a Câmara Municipal de Beja.